A Desonestidade Intelectual de Olavo de Carvalho

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A Desonestidade Intelectual de Olavo de Carvalho

Mensagem por Jean Carvalho em Qua Set 20, 2017 6:29 pm

A Desonestidade Intelectual de Olavo de Carvalho



A carta aberta redigida por uma das filhas de Olavo lançou luz sobre uma série de desvios morais, erros e vícios numa figura que, para a Direita, tornou-se sacrossanta e intocável. Olavo de Carvalho saiu do anonimato e do marginalismo intelectual e se transformou na figura mais influente no meio “alternativo” à Esquerda. Parece que o caminho entre esse anonimato e sua “glória” está permeado por toda a podridão que o próprio Olavo vem condenando há décadas. Aqui, não vamos nos aprofundar nem no conteúdo da carta, nem na briga entre ele e a filha nem nas suposições sobre a vida pessoal de Olavo. Vamos mostrar que sua vida intelectual, usada pelos olavetes como blindagem automática e justificadora instantânea de todos os erros e desvios do “guru”, não passa de uma mentira e um conjunto de plágios e adulterações.

Olavo é celebrado como filósofo (para o séquito que o segue, chega a ser o “maior pensador do Brasil”), mas é um anti-filósofo. Ele não criou um grupo de pensadores, de discípulos que aprimoram pensamentos, nem de seres capazes de indagar e questionar (e criar coisas interessantes através desses questionamentos). Ele criou uma massa de seguidores fanáticos que literalmente se submetem ao “mestre”.

Seus seguidores são incapazes de fazer qualquer questionamento em relação a ele (e, quando questionado, a reação do “filósofo” é essencialmente atacar e denegrir). Isso é filosofia? Isso é pensamento? Olavo também pratica exatamente todas as coisas que ele trata como sendo características da Esquerda: produz um culto à sua própria imagem (o “culto à personalidade”), fomenta o duplipensar (uma coisa é ruim se praticada por um “inimigo”, mas torna-se boa quando feita por Olavo ou seus “alunos”), faz uso da difamação e do “assassinato de reputações” (não só contra “esquerdistas”, mas também inclusive atacando qualquer figura conservadora que não se alinhe a ele) e se usa de várias mentiras, desinformação e manipulação de massa.

Olavo é tudo aquilo que diz odiar e combater. É imoral, é malicioso, é mentiroso e desonesto. E sua desonestidade também é intelectual. Grande parte das “ideias de Olavo” não são ideias dele. Ele rouba e comete plágio, tomando ideias que não são suas e vendendo-as como se fossem fruto de sua própria mente. Seus “alunos obviamente não sabem disso (ou fingem não saber). E, assim, ele segue mentindo sobre si mesmo, sobre a política nacional e internacional e fomentando desinformação.

No livro “Aristóteles em Nova Perspectiva”, Olavo copia a tese central do filósofo e professor italiano Giovanni Reale. De José Pedro Galvão de Sousa, Olavo tomou os conceitos e leituras sobre as categorias políticas (principalmente contidas na obra “Dicionário de Política”). Aliás, Olavo se gaba de ter sido o primeiro a divulgar a figura de Eric Voegelin no Brasil, o que também é mentira: foi o próprio José Pedro Galvão quem, em 1979, já havia inserido os pensamentos e a figura de Eric no cenário intelectual brasileiro, citando o pensador em sua própria obra “Dicionário de Política”.

José Pedro Galvão era um conservador católico e intelectual bastante respeitado. E não foi “perseguido” pela academia: ao contrário, teve reconhecimento no meio acadêmico brasileiro. Olavo, por outro lado, não produziu nada relevante para o Brasil, e por isso mesmo ele é ignorado pela academia – a justificativa dele é falar em “perseguição” (e há vários pensadores brasileiros que agem fora da academia), quando na verdade sua própria obra é bastante pobre (e, aliás, nem é “dele” propriamente).

Olavo não faz plágio apenas com conservadores. Foi dos marxistas da primeira metade do século XX que ele roubou o termo “paralaxe cognitiva”, que vende como seu. Slavoj Zižek, filósofo marxista contemporâneo, aborda a paralaxe cognitiva num estudo recente, citando os pensadores marxistas responsáveis pela criação do termo.

A análise de semelhanças entre nazismo e comunismo tem como um de seus principais expoentes o filósofo francês Alain Soral, bastante atacado e demonizado pelo próprio Olavo, que o acusa de ser um “satanista”. Não só de Soral, aliás, mas de vários autores. Uma de outras teorias atribuídas a Olavo, a das Doze Camadas da Consciência, foi criada por Ken Wilbert, psicólogo estadunidense que também criou a Psicologia Transpessoal e da Teoria Integral.

As “brilhantes” análises geopolíticas de Olavo não são nada mais do que traduções de pensadores neocons dos EUA, como Michael Ledeen, Nathan Glazer, Andrew Roberts, Douglas Murray, Victor Davis Hanson, Donald Kagan, Jeane Kirkpatrick, Liz Cheney e tantos outros mais. É desse grupo de pensadores que Olavo toma o anticomunismo ferrenho e a demonização completa da Rússia e das nações do Oriente Médio, além do falso dualismo entre um “Ocidente cristão” e o Islã. A própria visão geopolítica (uma área que Olavo desdenha, mas que admira quando usada pelos EUA) de Olavo sobre o Brasil é tomada de Henry Kissinger, na qual o papel brasileiro no panorama global é o de mero agroexportador.

Outra teoria que Olavo propaga como sua é a da Análise da Mentalidade Revolucionária. Olavo se coloca como o maior analista da psicologia e da mentalidade revolucionária, mas vários outros autores já haviam feito análises sobre esse tema muito antes dele. Um deles é Jonathan Israel. Aliás, o próprio conservador britânico Edmund Burke já havia feito esse tipo de análise.

Não há problema algum em se apoiar em outros pensadores e beber outras fontes. Qualquer grande pensador faz isso. Até mesmo nós fazemos isso. O problema é vender como suas teorias que foram criadas por outros pensadores, distorcendo suas ideias e negando os devidos créditos. Ao que parece, a “produção intelectual” de Olavo é um engano. E ele continuará sendo idolatrado, porque, para seus seguidores, ele não pode errar – e, se errar, tudo é justificável. Olavo age dentro dos escopos que desenha para a Esquerda. A tão odiada “mentalidade revolucionária”, demonizada por ele, é perceptível não só em sua pessoa, mas em todo o grupo que o segue: tudo contra nós é errado, tudo conosco é correto.

Se Olavo é incapaz de ser honesto em relação àquilo que divulga abertamente, como seu trabalho intelectual, não é difícil imaginar que ele também não seja muito moral em suas questões particulares.
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