Acerca do Tempo

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Acerca do Tempo

Mensagem por Pedro Rezende em Dom Jan 21, 2018 6:51 pm

O tempo

      No princípio, era o tempo cósmico; o tempo em que a humanidade vagava, pasma, entre as estrelas. Sua referência primária era o universo e de tanto observá-lo conheceu os caminhos do chão. Olhando rente, tal humanidade pôde desta vez, vê e analisar a natureza em todas as suas miudezas; assim, já não mais nômades, os homens criaram sociedades, calendários, cidades, pastos. Este era o tempo cíclico no qual o Homem esteve ligado ao ritmo da natureza. Depois, veio o rompimento, isto é, o tempo burguês. Já não era a natureza a rainha do pendor, antes era o relógio; a máquina; a lógica produtiva; o tempo diminuto e anti-humano.
     Hoje, porém, não vivemos mais num tempo burguês puro e, naturalmente, pela essência mesma do tempo, todas as suas manifestações continuam a coexistir, nesse exato momento, no campo ou na cidade. O tempo que emerge é o tempo do pseudocosmos; ora se no tempo do cosmos a medida era o espaço infinito, a imensidão; a magia; o temor; nomadismo; Deus. No pseudocosmos já não se trata de um tempo infinito mas de um infinitamente fragmentado, o niilismo; o desencaixe, o ceticismo. Existe, portanto, uma relação entre as pontas do tempo, havendo, entretanto, diferentes respostas.
     Embora haja algo que podemos subtrair de todos: Não existe tempo. Não ao menos como o conceberam os calendários e os tic tac’s. O tempo medido é uma abstração tendo como referência ora o dia e a noite, ora os minutos e os segundos, em frente ao espaço possivelmente* infinito. Não por menos o tempo é relativo*; não existe uma medida certa e mesmo quando fracionado (o dia e a noite, o relógio) essa fração tem como base algo imensurável e incalculável diante de si, o universo.
     Dito isso, muitos dos grandes erros de nossa geração vêm de um pequeno erro quanto ao entendimento do tempo. Lembre-se, por exemplo, nas tuas aulas sobre Platão no ensino médio, quando o professor dizia haver, segundo Platão, uma fôrma de cada um e cada coisa antes mesmo dela existir (porque, em verdade, ela já existia) um aluno com uma concepção burguesa de tempo embora pudesse entender a proposta, jamais, jamais, compreenderia a ideia real platônica. Agora pense no aborto, viu? O tempo é a chave perdida da caixa de Pandora.
    Mas eis que, o tempo do pseudocosmos, apesar de também despertar o temor no Homem, não lhe trás proveitos. Sua medida cada vez mais fragmentada num mundo cada vez mais instantâneo, é incapaz de nós dá respostas imemoriáveis e atemporais, é escravo da fugacidade pois, ainda que o cosmos e o pseudocosmos estejam de alguma forma ligados, suas essências divergem. O que um homem sob a égide do pseudocosmos diria sobre o aborto? Naturalmente, em algum momento de sua vida, adotará uma posição positiva.
    O pseudocosmos é algo como o espanto perante a racionalidade destruída e ao mesmo tempo, em franca expansão, similarmente ao espaço. Daí seu niilismo e o crescente domínio da tecnologia sobre o Homem. Porém, a razão humana é falha e não raro transborda as suas magoas. Entrementes, o cosmos reflete o temor de algo muito mais que racional mesmo havendo criado a razão. O tempo cósmico é o tempo sagrado.

* Citações a teoria de relatividade e ao Big Bang.

Pedro Rezende

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