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Mensagem por Rafael Scovino Silva em Qua Out 11, 2017 5:18 pm

Para membros do Rio de Janeiro exporem textos para debate com o movimento como um todo, sugestão de publicação e enriquecer as visões já estabelecidas.
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Rafael Scovino Silva

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Modernidade : Um conceito ocidental

Mensagem por Rafael Scovino Silva em Qua Out 11, 2017 5:25 pm



Todos os póvos do mundo entendem a noção de modernidade como um desenvolvimento da técnica, das forças produtivas.

No Ocidente porém este conceito ganha um arcabouço mais extenso, com base na noção de "progresso" se atrela o desenvolvimento da técnica a uma mudança de valores, mentalidade e modo de vida na sociedade.

Enquanto para outros póvos o desenvolvimento da técnica é um instrumento a serviço de valores maiores como sua organização político-social, cultura, identidade, modo de vida, as pessoas, sua noção de sagrado, para o Ocidente a técnica passou a pautar todo o restante, criando uma nova cultura, modo de vida, uma nova mentalidade e cosmologia, algo impossível sem a noção de progresso, sem a falsa noção "de que toda a noção civilizatória anterior era um atraso, selvageria, barbarismo" a ser substituída "por um novo tipo de ser humano, um novo pensamento, uma nova essência", ou seja - pela modernidade como "símbolo de um novo tempo".

Essa "modernidade ocidental" condensou "o espírito da burguesia" que se legitimou no desenvolvimento da técnica para moldar toda a sociedade.
Os conceitos de indivíduo, liberdades, direitos e deveres, mercados, mão de obra, consumidor, encontrou na modernidade "um mantra de legitimidade".

Não a toa, no Ocidente de hoje, tanto direita como esquerda, mesmo trabalhistas, nacionalistas e até parcelas do conservadorismo, todos tem como centro de suas posições "a modernidade contra o atraso".

Algo que o colonialismo, o imperialismo e a globalização liberal buscam impor como realidade, mais que não pertence ao entendimento da maioria dos outros póvos e civilizações do mundo.

Para os indígenas, as civilizações pré-colombianas na América, a "dita modernidade" é sinônimo de uma invasão que destruiu seus valores, modo de vida e organização coletiva, do massacre e martírio de milhões, ou de sua exploração nas "encomiendas hispânicas", dos traumas em lidar com uma cultura completamente distinta, "a do homem branco", enquanto ele avançava sob suas terras ancestrais.
Para tais a "modernidade" tem o significado de "profanação".

Para os africanos, os sub-saarianos esta "modernidade" foi sinônimo de divisão, as potências ultramarinas que incentivavam os conflitos tribais para ganhar entrepostos comerciais, aliados e consumidores, instrumentos para expansão contra outros póvos locais, por fim um grande fornecedor de mão de obra sob a chaga da escravidão colonial.
Para muitos africanos, a modernidade é a saudade de casa, é a retirada de suas terras, é a perda de suas referências, de uma parte de si mesmo.

Isso independente do nível de integração que possam ter conseguido nas diversas nações em que se estabeleceram.

Para os póvos orientais, especialmente os chineses, japoneses e coreanos, a "dita modernidade" trazida pelos europeus era um ato de desonra e agressão, vinham com uma técnica desenvolvida, porém com traços culturais pobres lotear seus territórios e exigir tributos de civilizações milenares e orgulhosas.
Com o tempo buscaram sintetizar essa evolução da técnica com sua identidade e buscar seus próprios caminhos até para refrear as ameaças de europeus e norte-americanos, alguns com maior, outros menor sorte.
Para muitos orientais, a modernidade foi o trauma de um desenvolvimento da técnica forçado para resistir a dominação.

Para os indianos a "dita modernidade" tem a face da dominação britânica e todas as mazelas que com ela adviram, assim como uma ascenção dos impuros contra as antigas ordens sagradas.
A modernidade é impureza.

Os póvos islâmicos conviveram mais próximos das mudanças de paradigma no Ocidente, vivenciaram mais de perto "o fenômeno da modernidade" e até contribuiram para o desenvolvimento da técnica e do conhecimento que levou as nações européias a este estágio.
Estes entendem a "dita modernidade" como uma perda.
Entendem e aplicaram o desenvolvimento da técnica, o prazer pelo conhecimento, ciências e filosofia durante séculos, inclusive ajudando os europeus a resgata-los, porém jamais os entenderam como um fim em si mesmo, eram meios para valores maiores que deveriam estar a serviço da civilização, seus valores, modo de vida e acima de tudo, da religião, de sua noção de sagrado.
Essa noção é ainda muito forte no mundo islâmico de que o Ocidente desenvolveu a técnica, mais perdeu seus valores, perdeu coisas muito mais preciosas.

Não a toa, até pela proximidade geográfica e intercâmbio cultural, a crítica islâmica é bastante similar a crítica católica a modernidade.

A crítica católica representa um rechasso do Ocidente clássico, do mundo cristão aos ditames da modernidade que cresciam espalhando "o espírito da burguesia" pela Europa.
O catolicismo também afirma que a "dita modernidade" desenvolveu a técnica, ampliou esferas de conhecimento, mais também culminou a perda de valores, de conceitos, da solidariedade, de tudo oque constituiu as bases de unidade e organização da Europa desde Roma.
A própria noção de tempo foi alterada, do eterno para o momento, o sagrado desdenhado, as hierarquias subvertidas, a usura e a ganância substituiram o sustento e a família como bases da economia.
Para o catolicismo, a noção de modernidade embasada pelo Ocidente é certamente uma heresia.
Apesar de imersa neste desenvolvimento, a Igreja Católica travou e ainda trava grandes embates com "o paradigma da modernidade".

Mesmo os que guardam sementes, simpatias ao antigo paganismo na Europa, também enxergam a modernidade como "uma perda de essência e valores", como um vazio materialista.
O próprio protestantismo veio emergir "uma ética de trabalho e vida" como resposta "a um vazio moral" nascente nas sociedades modernas.

O conceito de modernidade saído do espírito burguês, do mito do progresso, do materialismo, da esfera mercado-consumo como base da existência, culminando em vertentes como um puritanismo religioso e um hedonismo cultural são oriundos de um determinado período histórico, em certo território, sob condições específicas.
Esse conceito que busca ser imposto a toda humanidade, é incompreensível e absurdo para a grande maioria dos póvos e culturas que não compreendem aonde o desenvolvimento da técnica coincide com um abandono de todos os demais conceitos e valores.

A modernidade é artificial, uma invenção saída de um Ocidente sob ascenção da burguesia e instrumentalizado a seu favor contra outros póvos, no colonialismo, imperialismo e hoje na globalização.
É a nova roupagem "da missão civilizatória", só que sem valores, a não ser os de mercado.
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Rafael Scovino Silva

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Unidade pelo sagrado

Mensagem por Rafael Scovino Silva em Qua Out 11, 2017 5:28 pm



Nossa terra, o Brasil nasce sob a influência de três componentes que se expressam cada em uma comunhão espiritual e religiosa, o católico apostólico romano e as ancestralidades indígenas e africanas.

Apesar de conflitos, elas ergueram uma curiosa convivência sincrética, aonde de certo modo a estética católica serviu para resguardar as ancestralidades que a época eram tabus, mais assim também passaram a se influenciar mutuamente.

As missões jesuítas e o convívio com os indígenas trouxeram muitas contribuições, principalmente sobre o conhecimento da nova terra aos católicos.
O sincretismo trouxe elementos católicos as ancestralidades, mais também criou uma religiosidade popular que absorvia muitos dos preceitos sincréticos.
O positivo foi que apesar de tudo, houve uma interação e um diálogo religioso, mesmo que a parte das estruturas vigentes, o negativo foi a mistura de doutrinas que acabou por relativizar fundamentos essenciais.
Isso não retira a importância da mística popular sincrética que trouxe expressões religiosas Brasil a fora, desde a figura das rezadeiras e parteiras, do jongo a capoeira, dos santos populares as procissões católicas integradas por sincréticos que as davam outros significados, até chegar a umbanda e outras comunhões nascidas do próprio sincretismo.

O importante e isso que queremos ressaltar e defender como paradigma é que esse diálogo religioso não impedou que o catolicismo e as ancestralidades mantivessem seus núcleos de fundamento, doutrina, estética e comunhão específicas e os fez enxergar na outra pontos comuns, a ponto de todas virem a reconhecer de certo modo a figura de Cristo e ter também na Bíblia um reforço a suas próprias orientações tradicionais como a luta contra "os maus espíritos", a importância da oração, do respeito aos mais velhos, da importância da família, da solidariedade na vida social.
O catolicismo brasileiro ainda absorveu sem remover seus fundamentos uma postura mais mística e ativa de combate "ao demônio", no entendimento similar das ancestralidades sobre "os maus espíritos", e expandiu seu conceito social de família e comunidade para o todo, o diferente, com aspectos culturais indígenas e afro-brasileiros, fora a compreensão de que outros através de elementos católicos resguardavam sua própria fé e davam um novo sentido a sua comunhão.

Mais São Jorge é São Jorge e Ogum é Ogum, mesmo a ancestralidade africana se fazendo presente e comemorando os festejos do Santo.

E é isso que queremos ressaltar e defender como novo paradigma - um diálogo, uma unidade, não na mistura de elementos, e sim no reforço de seus fundamentos, nas diferenças encontrando a unidade nos pontos hoje postos em cheque pela modernidade como a própria existência do sagrado, a defesa dos valores tradicionais e a comunhão não apenas no templo, mais como um modo de vida, existência e organização da sociedade.

E isso é mais claro ainda quando seja na doutrina católica, seja nos fundamentos das ancestralidades indígenas e africanas se dá vital importância ao núcleo familiar e o expande por todo o povo em laços de unidade, a partir do núcleo familiar em comunhão é que se estrutura o modo de vida, a economia, a política e tudo o mais.

Atualmente outras religiões como o cristianismo ortodoxo e mesmo o islamismo convergem nestes pontos de unidade e muito tem a acrescentar, já nos dando um exemplo prático aonde no Oriente Médio muitos muçulmanos lutam lado a lado com cristãos contra o terrorismo e seus promotores - o imperialismo, o globalismo, o sionismo e o wahhabismo.

Ainda temos alguns setores evangélicos, herdeiros da religiosidade popular, que se contrapõe ao neopentecostalismo de matiz puritana e anti-tradicional, com eles podemos e devemos forjar unidade.

Ressaltando a diferença fundamental entre religiões tradicionais e ancestrais dos credos surgidos com objetivos meramente políticos ou econômicos sem uma comunhão espiritual que resulte em um modo de vida virtuoso.

No Brasil entre a população comum vemos também uma convivência entre religiões distintas em relativa harmonia.
E ao contrário do que alguns apregoam e mesmo defendem, ninguém precisa "se converter" ou abrir mão de valores e princípios de sua fé para ter uma relação de respeito a fé do próximo e mesmo aprenderem entre si valiosas lições.

O puritanismo e o ecumenismo fazem parte de um mesmo mal que retira cada religião de sua essência a subordinando a anseios pessoais.

O diálogo não requer conformidade, mais a unidade em pontos comuns que levam ao aprendizado e ao respeito.
Nestes tempos em que a religião e mesmo a fé são atacadas, denegridas, corrompidas e ridicularizadas, é vital olhar para o lado e enxergar os pontos comuns que inclusive as fazem ser vítimas na modernidade e ameaçam sua própria integridade.
Para além de nomes oque está em jogo é o próprio reconhecimento de que existe o sagrado, que a virtude advém do espírito e que toda a vida da pessoa só pode ser plena, harmônica e íntegra se baseada nos dons divinos e não na razão material, não no desejo mundano.
É o aspecto integral do ser humano, o reconhecimento do espiritual, o papel da tradição, o valor dos ancestrais, as lições da vivência e da história que a pós-modernidade declarou guerra.
E é dever de todos que reconhecem a importância vital do que está em jogo tomar posição.

Isso não é uma defesa do moralismo estúpido que brada contra o aborto, a homossexualidade e a drogadição mais fecha os olhos ao que não convém como a usura, a exploração e toda sorte de tirania.
Nem da maleabilidade nefasta de um chamado ao diálogo em que não se enxerga a natureza da unidade e passa a se misturar o bom com o mal até que tudo se perca em "um caldeirão de siglas sem significado".
O dever das religiões que buscam uma verdadeira comunhão espiritual, resguardar boas tradições que elevam e harmonizam a convivência humana e foram bases de grandes civilizações, de fazer o reencontro do ser humano consigo mesmo e partir a totalidade (a família, a comunidade, o seu povo, seu espírito, etc), é formar sim uma unidade em torno destes princípios.
Este não é um dever só da religião, mais sem ela não se realizará.

No caos e desumanidade deste mundo moderno imerso no materialismo ou em indíviduos que erigem cultos a si próprios e não em busca do espiritual, o povo simples renova seus laços com o sagrado, o busca e clama, muitas vezes saem iludidos por hipócritas ou criam meios de comunhão até sinceros mais sem uma base completa que os leve a uma compreensão real da natureza do que anseiam.
Vemos nações que se reconciliam com a fé e buscam na religião e na tradição respostas que a mera ideologia política não pode oferecer.
É a esse clamor que as religiões tradicionais e ancestrais tem o dever de atender, de realmente religar a humanidade com oque foi perdido e retira-la do abismo em que está sendo jogada por forças diabólicas.
Oferecermos a quem clama, conhecimento para ter a real oportunidade.

A isso e com os exemplos citados é que convidamos a essa unidade e reflexão.

Em defesa do Sagrado.
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Rafael Scovino Silva

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O caminho das ancestralidades

Mensagem por Rafael Scovino Silva em Qua Out 11, 2017 5:30 pm



As religiões e culturas de matiz ancestral acreditam que tudo está interligado, que o ser humano, a natureza, o tempo, as estrelas, os antigos, o nosso espírito e os planos espirituais, o universo são uma coisa só, apenas em dimensões diferentes no plano da criação.

Assim, este todo, estes diferentes aspectos de existência são todos sagrados, são todos parte da essência do próprio Criador.
A natureza é o todo, as àrvores, ervas, plantas, animais, o ser humano, os rios, mares, oceanos, morros e montanhas, os céus.
A natureza é a expressão mais visível da sagrada criação, incluindo os planos e aspectos espirituais nela presentes, menos perceptíveis ao homem de hoje que dela buscou afastar-se.

O próprio tempo, os antigos, o eterno e o destino estão vivos na natureza, tudo oque foi, é e será, as obras de nossos antepassados, sua relação com a terra e os vínculos estabelecidos com aquela aonde fizeram sua morada, ergueram seu povo, sua cultura e meios de comunhão.

Assim como o espírito eterno está vivo dentro de cada um de nós, a fagulha divina que existe em todo o ser humano, isso torna a nossa existência, o próprio corpo humano "em um santuário do sagrado, aonde habita o espírito".
O corpo não apenas como um ente físico, mais toda sua extensão abrangindo a mente, personalidade, virtude, os campos de energia e a comunhão espiritual.

Neste conceito tudo oque degrada a natureza, o ser humano, sua integridade, sua saúde em todos os campos, está também atingindo o espírito, dificultando a comunhão e agredindo a criação como dádiva divina.

Dito isso fica fácil constatar o quanto as raízes ancestrais são incompatíveis com um mundo imerso no individualismo, no egoísmo, nas coisas superficiais, no consumo exacerbado, na destruição do meio ambiente, nas guerras e conflitos, vícios, hedonismo e condições precárias de trabalho e vida para as pessoas.

Mesmo sendo muito compreensiva em alguns âmbitos, inclusive com pessoas que se veem abandonadas por muitas correntes religiosas, a ancestralidade e suas raízes exigem um modo de vida virtuoso e equilibrado, muito bem regrado e na observância de condutas que todas as religiões prezam.
Jamais irá se compactuar com a drogadição, fazer do corpo um comércio, se perder no comodismo ou ainda encher a mente de más influências.

Alguns podem designar estas correntes como "animistas", mais no fundo todos os póvos tem um meio de reverenciar os seus ancestrais, apenas diferem na crença e nas práticas.
Os póvos "chamados de indígenas" na América Latina, os mais diferentes que habitam a larga faixa que vai da savana ao sul da Àfrica passando pelas florestas do Congo, nativos chamados de esquimós, lapões, aborígenes ou maoris, são oque mais sentem, sofrem, ficam deslocados e se enfrentam as mudanças drásticas trazidas por um modo de vida "que muitos chamam moderno".

Não apenas os santuários destes póvos estão ameaçados, mais a própria terra aonde tem a comunhão ancestral, o próprio ambiente aonde tiram alimento, ervas, condimentos que também utilizam em cerimônias religiosas, os animais que cada possui uma simbologia e significado, seus laços familiares e comunitários, suas culturas e modo de vida, seus próprios corpos que também são "um templo do espírito".

É lógico que ninguém quer viver no passado, o desenvolvimento da técnica é bem vindo, mais tanto isso não é tudo, um povo não pode ter só isso como objetivo, quanto cada povo tenque ter o direito de absorver, de construir este desenvolvimento a seu modo, em respeito a seus valores fundamentais, nisso em nada diferem os que cultuam a ancestralidade de qualquer outra pessoa, povo e nação deste mundo, todos precisamos de uma síntese, de um meio termo entre as tradições e a modernidade, sob o risco de perdermos muito mais do que aparentemente estamos construindo.
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A hora e a vez do povo

Mensagem por Rafael Scovino Silva em Qua Out 11, 2017 7:08 pm



O povo volta a cena política.

Com os ataques a identidade dos póvos, a integridade das nações, a condições minimamente dignas de trabalho e vida, saindo do turbilhão da pós-modernidade, da pregação dos liberais econômicos e da degeneração do progressismo moral, em várias partes do mundo o povo volta a ser um sujeito político.

Na Europa os movimentos eurocépticos e identitários emergem e crescem a cada dia, já formam alternativa em algumas nações como a Hungria com o Jobbik, ou o Égalite et Reconciliácion de Alain Soral e principalmente o Front National que com Marine Le Pen trouxe "o povo como sujeito de volta a cena francesa".
O Brexit e a eleição de Donald Trump nos EUA também apontam neste sentido e como um claro repúdio a ordem globalista vigente.

Se a classe fracassou e se perdeu no individualismo, antes as nações terem perdido sua organicidade e se tornado mera extensão burocrática, o povo dá sinalização que pode contrapor o indivíduo da modernidade liberal.

O povo como unidade coletiva baseada em identidade, valores, modo de vida e uma cosmovisão comum foi posto a margem pela nação, classe e indivíduo mecânicos que se tornaram a expressão do mundo moderno.

O povo tem identidade, tem pertencimento, tem sentido coletivo.
O indivíduo é apenas uma criatura atomizada que vive para votar e consumir como sentido de existência.
O indivíduo é um número de RG ou CPF, nem uma pessoa que vive, sente, pensa e altera o mundo ele pode ser.

Na América Latina após o primeiro e brutal ciclo de políticas liberais nos anos 90, o povo tentou se expressar e em parte conseguiu reafirmando identidade, valores e cosmovisão como o movimento zapatista mexicano, os levantes indígenas, a identidade dos pampas, os sertanejos, alguns gestaram alternativas como na Venezuela e Bolívia, outros se perderam por falta de atores políticos que pudessem realmente expressa-los.

Fica claro quando observamos nos países ditos bolivarianos como o povo comum, os camponeses, trabalhadores, moradores de àereas periféricas são o ator principal na construção e defesa destas alternativas.
De outro lado, os governos ditos progressistas, como o ciclo petista no Brasil, apesar de algum apelo popular, sempre teve nas classes médias e altas dos grandes centros urbanos o seu alicerce e foram estas que construiram e desenvolveram estes projetos.
As classes médias e altas progressistas já imersas no pensamento cosmopolita, ligadas umbilicalmente ao processo globalista logicamente não puderam expressar reações orgânicas, jamais poderiam representar os anseios e valores concretos da população a qual sempre enxergaram como "condição de atraso, barbárie".
Por isso, bem ou mal, o bolivarianismo segue e há expressões concretamente populares, enquanto os progressistas caem e suas expressões populares não passam quando muito de caricaturas como "o movimento negro, feminista, LGBT", etc.

Isso faz parte da própria estrutura histórica da América Latina aonde os regimes políticos sempre atenderam frações das elites englobando no máximo alguns setores médios.
Apenas onde houve uma ruptura é que o povo pode ter algum papel na cena política.

No Brasil a política ainda é uma expressão de elites oligárquicas, empresariais e frações médias ligadas ao liberalismo ou o progressismo.

Mas isso não quer dizer que nosso povo não existe e não clama, é cada vez maior o abismo entre oque pensa, anseia e necessita a população das decisões dos políticos, da ganância do alto empresariado, da propaganda midiática.
Apesar de todo o massacre das políticas liberais anti-povo e da propaganda despudorada em nome da degeneração, o povo ainda existe e meio perdido busca ensaiar um brado.
A distância entre as classes média e alta das grandes metrópoles cosmopolitas e as classes populares, o interior do Brasil igualmente se agiganta como representação do embate entre a globalização liberal e a identidade, valores, modo de vida, anseios e tudo o mais que representa aquilo que chamamos de povo, este povo sim que é o verdadeiro Brasil !
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Re: Textos / Sugestões de Textos

Mensagem por Jean Carvalho em Sex Out 13, 2017 11:08 am

Armazene os textos aqui, camarada. Vou postando-os gradativamente e te mando o link por aqui.
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